Eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Mas eu amei. Corajosamente.
Amei com toda intensidade que meu coração permitiu que eu
amasse.
Amei onde coube, onde não coube, onde fui convidada, onde
entrei de penetra.
Amei por inteiro, amei de lavada, amei até ficar exausta,
até ficar abatida, até ser destruída,
até nascer de novo.
Mas eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Eu sempre tive o destaque que quiseram que eu tivesse.
Até o dia que não mais consegui.
Por que eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Porém, eu nunca fugi de briga, nunca me dei por satisfeita, entrava
sempre para sair com a boca sangrando, joelhos ralados e feridas no estômago.
Eu encarei meus demônios, ou, ao menos, tentei encarar todos
aqueles que conheci.
Eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Meu humor sempre foi obscuro, minhas vontades imediatas e
minhas paixões, violentas.
Nunca fui a mais bonita, a mais inteligente ou a mais
educada. Nunca vou ser.
A subversiva que morou em mim jamais permitiu que eu me
curvasse à perfeição.
Eu sempre vivi além da margem: de tudo que é bom, ruim,
feio, belo.
E cada palpitar obstinado, infligido contra meu peito já frio,
cavado pela mão relutante em me deixar ir,
naquele pulso enluvado sujo de sangue,
onde o relógio já marca vinte e um minutos
apenas me lembra que eu nunca fui entendida por não ser muito boa com as coisas,
por nunca ter sido.
.

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