Sou um conjunto maltrapilho de órgãos amontoados.
Algo feito as pressas por um criador desastrado.
Sou um arabesco de recordações daquilo que nem chegou a ser, mas já se foi.
Sou uma cripta onde se escondem tesouros e armadilhas mortais.
Sou uma torre de babel onde cada vértebra fala uma língua.
Sou um esqueleto: ossos, pele, músculos e sensações.
Sou um cadáver aguardando o inevitável (que vem apenas para homologar nossa condição humana).
Sou imortal naqueles que pude imprimir um pedaço do meu desejo.
Sou todo amor que suportar e ainda assim, sobreviver.
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