quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quando você abriu a porta;

Eu cultivo memórias desse encontro que nunca aconteceu.
Nesse instante há uma sala cheia de livros e quadros dos quais a forma não consigo me lembrar.
Há poltronas e carpetes sob uma luz difusa, que não me permite delinear as cores.
E há você, nítido e claro, tão diferente das fotos cinzas, recortadas de outros tempos.
Eu sinto o seu cheiro, sua pulsação, sua respiração contra a minha.
Eu posso te tocar: o traçado dos seus braços, a rigidez dos seus ombros, o contorno da sua nuca. 
E meus olhos beijam os seus. 
Minha boca tateia a sua. 
E o universo, nesse pequeno instante de contemplação, deixa de ser o palco dos nossos desencontros.
E, nesse maravilhoso agora, 
nessas milhas de sonhos que percorro todas as noites,
 nada pode me tirar da curva do seu olhar,
 do sabor da sua língua crua,
do calor daquela sala 
e da sua pele nua.

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