quarta-feira, 3 de maio de 2017

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Da vida só se leva a morte.
Não há lembranças, não há dor, nem riso ou choro.
Apenas o silêncio: não se pulsa mais um coração, não se ouvem os passos, não se entretêm os aflitos.

 Quem reclamará o corpo?
Quem chorará no funeral?
Quem contará as piadas?

Anfitriões de uma festa de despedida cuja roupas sequer pudemos escolher.

Seremos enterrados?
Cremados?
 Destruídos?
Esquecidos.

A brutalidade dos dias não reserva tempo aos descansados.
Tudo corre e muda. Não há tempo para o paraíso.

Que amantes lembrarão os beijos?
Que amigos afagarão as histórias?

Não há flores entre os mortos.
Não há lamentos, nem cor.

Tua doença será esquecida?
Teu suicídio será perdoado?

Não há manual, nem cartão de boas vindas.

Pilatos lava as mãos.
O carrasco afia a guilhotina.
O soldado carrega as balas.

Quem embalará teus livros?
Quem beberá o teu sangue?

Não há espaço para tuas memórias.
Não há esperança para os teus milagres.

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