quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Asfalto selvagem;


"Você nunca saberá que tenho esfregado minhas costas contra o asfalto selvagem na esperança de que asas brotem em meio à carne viva e me tirem daqui."

(Stella Florence)

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

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Você não quer só chamar a atenção.

Suas dores são reais e se espalham por todas as partes. 

Você se questiona, se julga, se valora e abre brechas sobre como sua vida é um desperdício de oxigênio na atmosfera.

E você acha injusto gastar essa vitalidade com o seu  maldito corpo, ensaia bilhetes em que perdoa e pede perdão por deixar o mundo de forma tão brusca.

O mundo é uma droga agora e os dias passam sem muito a fazer.

Eu sei do que eu tô falando. Eu sou como você. Igualzinha a você. 

E sei que é difícil, mas você vai dar um jeito de chegar ao fim do dia.

Chore, chore muito, até adormecer, se for preciso.

Não se envergonhe de pedir ajuda.

Não se sinta culpado por não conseguir demonstrar esse amor e energia sobre o mundo, essa fé em Deus que comove tanta gente, essa alegria incomensurável de viver que a maioria das pessoas jura sentir.

Nem eles sentem ao certo. 

Não vou te dizer que vai dar tudo certo sempre, mas com um pouquinho de esperança, conseguimos. estender e entender os passos do mundo.

Independente da sua decisão hoje, eu preciso dizer: eu não te julgo e você não está só.


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quando você abriu a porta;

Eu cultivo memórias desse encontro que nunca aconteceu.
Nesse instante há uma sala cheia de livros e quadros dos quais a forma não consigo me lembrar.
Há poltronas e carpetes sob uma luz difusa, que não me permite delinear as cores.
E há você, nítido e claro, tão diferente das fotos cinzas, recortadas de outros tempos.
Eu sinto o seu cheiro, sua pulsação, sua respiração contra a minha.
Eu posso te tocar: o traçado dos seus braços, a rigidez dos seus ombros, o contorno da sua nuca. 
E meus olhos beijam os seus. 
Minha boca tateia a sua. 
E o universo, nesse pequeno instante de contemplação, deixa de ser o palco dos nossos desencontros.
E, nesse maravilhoso agora, 
nessas milhas de sonhos que percorro todas as noites,
 nada pode me tirar da curva do seu olhar,
 do sabor da sua língua crua,
do calor daquela sala 
e da sua pele nua.

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Tempo de Pipa;




Só rodopiar, em busca do que é belo e vulgar.

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

quinta-feira, 25 de maio de 2017

You sold me out to save yourself;









Bury all your secrets in my skin
Come away with innocence, 
And leave me with my sins
The air around me still feels like a cage
And love is just a camouflage 
For what resembles rage again...

So if you love me, let me go.
And run away before I know.
My heart is just too dark to care.
I can't destroy what isn't there.
Deliver me into my fate -
If I'm alone I cannot hate
I don't deserve to have you...
My smile was taken long ago
If I can change I hope I never know

I still press your letters to my lips
And cherish them in parts of me that savor every kiss
I couldn't face a life without your light
But all of that was ripped apart when you refused to fight

So save your breath, I will not care.
I think I made it very clear.
You couldn't hate enough to love.
Is that supposed to be enough?
I only wish you weren't my friend.
Then I could hurt you in the end.
I never claimed to be a saint...
Ooh, my own was banished long ago
It took the death of hope to let you go

So break yourself against my stones
And spit your pity in my soul
You never needed any help
You sold me out to save yourself
And I won't listen to your shame
You ran away - you're all the same
Angels lie to keep control...
Ooh, my love was punished long ago
If you still care, don't ever let me know

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sábado, 6 de maio de 2017

Salvação;

Tenho esse sensação constante de estar me afogando.

Quando eu te conheci, essa sensação desapareceu.
Sentia como se respirasse pela primeira vez.
Como se o seu amor fosse a ponte sólida dos meus sentimentos.
Eu me senti segura.

E então, você foi embora, o chão desapareceu e eu caí.
Águas escuras me cobriram novamente.
Eu aguardei a sua mão me agarrar e me puxar para a superfície.
Mas você não veio me salvar.
Eu não consigo respirar.
Amor, eu não consigo respirar.

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quarta-feira, 3 de maio de 2017

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Da vida só se leva a morte.
Não há lembranças, não há dor, nem riso ou choro.
Apenas o silêncio: não se pulsa mais um coração, não se ouvem os passos, não se entretêm os aflitos.

 Quem reclamará o corpo?
Quem chorará no funeral?
Quem contará as piadas?

Anfitriões de uma festa de despedida cuja roupas sequer pudemos escolher.

Seremos enterrados?
Cremados?
 Destruídos?
Esquecidos.

A brutalidade dos dias não reserva tempo aos descansados.
Tudo corre e muda. Não há tempo para o paraíso.

Que amantes lembrarão os beijos?
Que amigos afagarão as histórias?

Não há flores entre os mortos.
Não há lamentos, nem cor.

Tua doença será esquecida?
Teu suicídio será perdoado?

Não há manual, nem cartão de boas vindas.

Pilatos lava as mãos.
O carrasco afia a guilhotina.
O soldado carrega as balas.

Quem embalará teus livros?
Quem beberá o teu sangue?

Não há espaço para tuas memórias.
Não há esperança para os teus milagres.

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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Eu não quero tua psiquiatria, eu quero ser teu lar;

Os outros eram apenas rachaduras no meu casco.
Você foi meu iceberg.
Você recolheu os meus cacos e me deu esperança.
Você juntou aquele amontoado de pecinhas e fez de mim alguém inteira de novo.
E então, tal qual uma torre de cartas, você tirou meu apoio, minha sorte, meu chão.
E então eu desmoronei. 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Nesse lugar que ninguém mais pisou;

Saudade, Parte II;

Há dias que sua ausência não passa de um sopro.
Há dias que me atinge como uma locomotiva.
Nenhuma plataforma de ônibus foi a mesma.
Nenhum cara de camiseta azul foi o mesmo.
Nenhum beijo rápido teve o mesmo sabor.
Nem mesmo essa dor permaneceu igual. 

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Saudade;

Os dias tem passado de forma comprida desde que você se foi.
Os personagens dos livros já não são tão românticos.
O toque de mensagem no celular nunca mais foi o mesmo.
As palavras se tornaram um tanto quanto plásticas nesse meio tempo. 
Já não há tanta paixão e beleza nas nossas músicas.
As folhas continuam verdes e os passos firmes, mas já não há tanta certeza nas escolhas.
Ainda assim, estive em paz. 
Como você.
Tudo se tornou a dor comum.
Mas ás vezes, só ás vezes, eu me lembro de você.
O calor da sua mão, o desenho das suas costas, o gosto salgado do nosso último beijo.
Talvez eu não tivesse te soltado tão facilmente se soubesse que seria o último. 
Talvez eu não tivesse te soltado.
Ainda bem que minha memória sequestrou aquele instante solto de amor e te registrou na minha saudade


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