quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Pessoas não são substituíveis;


Em que pese a máxima de frases de efeito sobre superação e músicas de divas do pop,
 pessoas não são substituíveis.
Não são. 
E não há nada do que tenha visto até hoje me convença do contrário.
E sendo minha própria cobaia vejo que o mundo seria um lugar mais fácil de se viver se assim o fosse.
Bem mais frio e cinza, com menos declarações de amor feitas pela madrugada 
e bilhetes de viagem comprados por impulso. Mas ainda assim, mais fácil. 
Há quem o prefira e eu não julgo.
Mas pessoas não são substituíveis.
Não são.
Eu poderia ter os melhores tutores que o dinheiro pode comprar, poderiam bater à minha porta e dizer "A partir de hoje você é filha do casal Gates.", e por mais legal que fosse poder comprar uma ilha no Caribe ou ter um pônei no quarto, ainda assim, 
nada no mundo ia continuar se comparando à voz do meu pai a me contar sobre a ditadura
 enquanto toca Geraldo Azevedo ao fundo.
Nenhum toque no mundo ia continuar sendo páreo ao da mão quente da minha mãe 
me consolando após as crises de choro por uma cólica renal ou um coração partido. 
Pessoas não são substituíveis
Não são. 
Cada um carrega uma história, que ao ser partilhada a dois, a três, a dez, a sós,
 nunca mais volta a ser como era. 
E aí partimos aos clichês que há apenas um de nós na vastidão do universo. 
Arrogância ou consolo, eis à porta uma verdade.   
Pessoas não são substituíveis.
Não são.
Não se substitui os sentimentos bons ou ruins que alguém um dia produziu em nós. 
Concordo que há as pessoas por quem vale a pena lutar e as que não valem o esforço,
 mas até os calhordas tem seu valor inegável. 
Afinal, o que não vira benção, vira lição.
Mas pessoas não são substituíveis.
Não são.
Não há lobotomia que chegue ou textão de auto ajuda que me convença do contrário.
Lembro dos numerosos conselhos pós pé na bunda que já levei com altos níveis de logo você esquece 
e parte pra outra, ou ainda o meu favorito: amor com outro amor se cura. 
Não que cada um vá se prender infinitamente a algo ou alguém que não faça bem, 
em relacionamentos abusivos ou simplesmente em que o afeto não mais existe. 
Mas esse é o ponto chave.
É como matemática: a regra é pertencer ou não pertencer. 
Pra mim, para o amor não há cura e para a dor há o tempo. Apenas. 
Uma pessoa é seu próprio infinito. 
Ainda que se reproduza o tom do cabelo, o jeito de andar e as falas fabricadas, 
não se reproduz o beijo dado, o sexo feito, a piada dita no momento oportuno 
ou o frio na barriga daquele primeiro encontro.
Então não me diga que somos substituíveis, porque não, não somos. 

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