quarta-feira, 27 de abril de 2016

Fé;

Ver você foi como levar um choque intergaláctico. 
Sabe aquela imagem de um meteoro se chocando contra as estrelas e criando uma dança cintilante?
Você foi um acidente. Um acidente luminoso. 
É assim que, depois de muito pensar, eu consigo definir você.
Minha mãe diz que a morte se assemelha ao tempo de gestação. 
Tudo líquido e calmo.
Era assim que eu estava seguindo todos os meus dias. 
Tudo morno, líquido e calmo.
E morto.
Até você chegar.
Você sabe como é difícil admitir isso? 
Você imagina quanto medo eu tinha desse dia chegar?
Você estragou tudo.
O cara que ia me receber no final do dia, na nossa casa de tijolos brancos, com jardim na frente e animais adotados não tinha sequer um rosto.
Agora ele tem nome, sobrenome, carteira de motorista e usa óculos.
Você ferrou com tudo.
Eu não quero você. 
Eu não quero me imaginar descalça no chão da cozinha, 
bebendo algo enquanto você cozinha. 
Eu não quero ter imaginar o seu braço enlaçando involuntariamente o meu corpo enquanto a gente dorme, ou quem vai contar de onde vem os bebês para os nossos filhos.
Olha como eu to ficando ridícula? Filhos!
Ver você foi como levar um soco no estômago.
Ficar doente de medo.
Medo de criar expectativas. Medo do mundo. Medo de ser feliz.

Mas teu afeto me curou.E me fez voltar a acreditar que coisas boas acontecem.

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