segunda-feira, 14 de maio de 2012

(Re) Publicação;


Ainda tenho os mesmo olhos de jabuticaba que se sobressaem as curvas das minhas sobrancelhas castanhas. Ainda tenho as marcas de catapora de quando tinha dois anos e possuía o rosto de uma boneca de porcelana, ainda possuo o mesmo sorriso, com dentes retos e sobressalentes, na minha boca eternamente desenhada com contornos precisos e finos, que quando me transfiguro em mulher parece algo sedutor, mas que sempre identifico, sem máscara ou maquiagem, o mesmo sorriso infantil e tímido
perdido no meu rosto de lua cheia, de bochechas rosadas, que agora ganharam um toque de juventude através de suas marcas de espinhas e cicatrizes de travessura de uma adolescente qualquer.
Ainda vejo um narizinho arrebitado, em comprimento com uma mecha castanha da minha franja sempre por cortar que arqueia sobre os meus olhos me dando uma aparência leonina...
 Mas ainda vejo a criança que lutava contra a franja lisa nos olhos na hora das brincadeiras.
Ainda vejo, ao dormir, através de uma camisola gasta e de estimação que fica na altura do contorno das minhas coxas, uma menina que cresceu em suas roupas de criança que encurtaram com o tempo.
Vejo cada mancha, cada cicatriz, que se espalha pelo meu corpo e que sussurra uma história, não só as próprias marcas no corpo, mas também as marcas da alma, do coração.
Dessa menina que fui e da mulher que essa mesma menina planejou ser.
Encontro um meio termo inquietante.

(Escrito em 2009)

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