sábado, 28 de janeiro de 2012

Deveria chamar-te claridade pelo modo espontâneo, franco e aberto com que encheste de cor meu mundo escuro…

Não é porque meus pais o adoram, que ele seja católico ou bom filho, quem sabe um bom pai, com um futuro cheio de expectativas pela frente.
Ele injetou doçura nas minhas veias, quebrou todas as minhas defesas, assim, de graça.
Tinha que acontecer justo comigo. Justo quando eu decido suspender todas as doses homeopáticas de auto piedade disponível no fundo da minha caixa de pandora.
Justo quando eu tava tão intensa, intensa, maldita.
Justo quando eu pisoteei a criança louca e sem limites, rainha de imensos castelos de areia e sonho.
Justo depois de tantos sentimentos sucateados, ele junta meus pedaços e cola minha vida, memória a memória, com cada beijo.
Justo quando eu já não me julgava digna de felicidade, ele vem e me diz que quer ser o pai dos meus filhos. Justo?
Ele me faz querer ter várias fotos dele pelo meu quarto, me faz querer ouvir músicas antigas.
Ele me faz querer dividir o meu dia, a minha cama, os meus pensamentos.
Ele me faz querer somar o meu cheiro ao dele, faz o meu coração ficar tão apertado de saudade, que sufoca.
Com tantos defeitos, tantas marcas, tantas feridas expostas, ele vem e me diz que tem a cura.
Justo quando eu deixei de me cuidar, ele quis cuidar de mim.
O mundo tá estupidamente mais bonito agora.

Lirian Galinari

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(Título do texto: Vinícius de Moraes)


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