segunda-feira, 12 de abril de 2010

A menina elefante;

Não, não falarei sobre filme do David Lynch, não se preocupem.
Falarei sobre eu mesma.
Eu gosto muito de fazer isso, até parece que assim me conheço mais, pode soar piegas esse texto, mas é desabafo... e vocês todos o escutarão.
Não tenho lepra (não que isso seja tão ruim ).
Nenhuma deformidade (vejam bem e quando me refiro a isso é àquela deformidade instalada na “alma”).
Não sou burra, nem feia demais.
Não tenho o tique de coçar o nariz.
Não grito muito alto em lugares que preferem o silêncio.
Sigo as regras de etiqueta quando a situação exige.
Tento ser uma pessoa agradável a maior parte do tempo.
Mas sou lilás.
E pessoas lilases não são bem aceitas.
Tu não és azul nem rosa... tu és o meio. Tu és a vã tentativa disso e daquilo.
Tu também serás rotulado como mentiroso... por teres omitido pequenas coisas, pequenas pistas que diriam quem tu és realmente.
Tu deves ao psicológo... por querer ser feliz. Sabes como é... felicidade ao extremo assusta. E eu assusto os outros.
Eu faço doer... aquilo que os outros querem esquecer.
E me sinto culpada por isso, mesmo sabendo que sou tão inocente quanto ao menino que come doces antes do jantar.
Cansei de olhares que me censuram.
Pessoas que não me entendem...
quero um segundo mundo...
uma segunda vida (essa está toda errada).
Então Deus me deu a chance de ser Midas... só que tudo que toco, vira tristeza.
Ou será que querem que eu acredite nisso?
E quando eu estiver descrente dos abraços apertados, sorrisos largos...não se preocupem, já, já arrumo uma fé inabalável... uma certeza e coloco a felicidade no meu caminho novamente.
Homens, mulheres, meninas elefantes acabam cedo ou tarde provando que os outros são mais deformados que eles mesmos.
Sociedade hipócrita...
eles podem ser azuis, rosas, amarelos... e eu sempre serei a estranha.
Azar daqueles que não me aceitam. Azar só deles.
(Natália Anson Lima)
 
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