domingo, 7 de março de 2010

Contos para Sebastião;


E ela, antes perdida naquele cenário tão cotidiano, tão poluído de seres sem cor, sem sentimentos, encontra seu refúgio num som ao longe... a mulher segue o som com os sentidos, com o espírito... fecha os olhos, se entrega...tudo se tornou leve, os sons, os toques, as vozes envolviam seus reflexos fazendo nascer um serpente que percorre a sua nuca e distribui a eletricidade musicada por todo o seu corpo.

A respiração agora é lenta, um estado letárgico. Ela abre os braços e toca as nuvens com a ponta dos dedos, os cabelos são emaranhados por um leve vento equatorial...ela,outrora mulher, agora menina, abre seus olhos com o fim da música e eles já não enxergam a obscuridade que ali estava.



(Da coletânea "Contos para Sebastião" 09/08/2009)
 
p.siu: para a nuca mais linda do meu universo
 
=*

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