terça-feira, 30 de março de 2010

Refrão;

"Vamos cantarolar aquelas velhas canções para o mal ir embora.
Para que se aqueçam os bons sentimentos, para que cessem as desilusões e as saudades.
Porque já cansei de ser imatura ao ponto de achar que um dia tudo vai mudar e você vai ser aquele alguém que eu desenhei torta e milimetricamente nos meus sonhos.
E cansei de ser tão madura a ponto de perder a minha crença nessa sucessão de coisas boas que é viver.
Ensinar um coração a cantar melodias de mansidão é difícil. Mas até que ele ta ficando bem afinadinho."


Lirian Galinari

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Da janela lateral;

Da janela lateral
Do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural
De coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou

(Paisagem da janela - Lô Borges e Fernando Brant)

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domingo, 28 de março de 2010

Enquanto você estiver;


"Como aquele sótão empoeirado onde guardamos brinquedos quebrados, recortes antigos de jornais e algumas lembranças. Eu não quero colocar meu coração lá, não me deixa fazer isso, por favor.
Eu quero saber que vamos rir mais, brincar mais, dançar mais, amar mais.
Cometer todos esses pecados próprios do coração. Deus perdoa. Ele sabe que eu te amo, Ele sabe que é finito e que um dia Ele vai me tirar de você.
O que eu posso fazer além de gostar tanto de você até onde meu pequeno e remendado coração agüenta?
Eu quero aproveitar essa inexatidão que é estar viva e gargalhar ao seu lado, enquanto você estiver.
Então vem, deita aqui perto de mim pra ver a vida raiar de novo."


Lirian Galinari

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Kαρδιά;


"O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. É que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a freqüência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível. Coração precisa de espaço."


(Ana Jácomo)


p.siu: prepara um abraço apertado e um sorriso gostoso, eu estou chegando

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terça-feira, 23 de março de 2010

Lion and lamb;

"- E então o leão se apaixona pelo cordeiro... - ele murmurou.
Eu escondi meus olhos pra não mostrar
o quanto eles haviam ficado felizes com a palavra.
- Que cordeiro idiota - eu suspirei.
- Que leão doentio e masoquista."
(Crepúsculo)

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p.siu: na espera por "Midnight Sun".

domingo, 21 de março de 2010

6.935 dias;


Durante esses 19 anos da minha existência eu sempre me enxerguei como uma pequena cobaia. Não sei de quem. Mas sei que sou uma experiência (assim como você, o seu vizinho, a sua avó materna) de até onde o ser humano é capaz de chegar. Viver é um aprendizado. É verdade.
Ao longo do tempo, desses não-exatos 6.935 dias de vida, eu aprendi a andar, comer com talher, ler, escrever, dizer “obrigada” e “por favor”, entendi o que era teoria do caos, eletromagnética, regras de acentuação e interpretação de texto, que a Ásia é o continente mais populoso do mundo. Aprendi que bebida alcoólica altera os meus sentidos, que o que mãe diz acontece e que não sou boa em matemática (apesar de me esforçar muito, ok).
Mas o que mais me intriga, é saber que em todo esse tempo presa nesse corpo, nesse CPF, nessa consciência marcada, é que nunca fui capaz de ter um autocontrole sobre mim e sobre o que sinto.
Podem atribuir a minha personalidade a uma criação, ao fato de ser ariana ou simplesmente dizerem “é a natureza da menina, gente.”
A gente não foge do que é, a gente não foge do que sente, a gente cria uma peleja entre o coração e o cérebro, sendo que o primeiro é campeão peso-pesado invicto.
Sei que sou e quem sou, mas não sei explicar. Porque não podemos explicar o que somos, não dá!
E como então você vai tentar explicar o que se sente a alguém que não sabe o que é?
Eu desisto, é sério.
Mas estou satisfeita por não ter como rotular tudo, principalmente o que eu sinto, por quem sinto e o tamanho do que sinto.
Acho isso tão bonito.



Lirian Galinari

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"E hoje o que me sobrou foi um sentimento.
Sem cor, sem som, sem descrição, bem modesto mesmo.
Acho que não sei  dimensionar ainda o que você deixou em mim e o que você levou quando foi embora.
Mas não se preocupe, eu estou bem feliz agora."


Lirian Galinari

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sábado, 20 de março de 2010

O amor é importante, porra

"All you need is love, eu tenho tatuado! O amor é fundamental. O amor é o principio, é o êxtase, é a eliminação do ego, é quando você enxerga o outro não como um jogador. É quando você começa a olhar junto pras mesmas coisas, com a mesma delicadeza, e as coisas ficam tão melhores com o amor. O amor é fundamental. O amor é a primeira coisa. É o começo do resto."




(Fernanda Young)
 
p.siu: o coração da gente não é dispensável, você entendeu?
 
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sábado, 13 de março de 2010

Pequenas coisas;


"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.
Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano.
Como o toque bom do sol quando pousa na pele.
A solidão que é encontro.
O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado.
A lua quando o olhar é grande.
A doçura contente de um cafuné sem pressa.
O trabalho que nos erotiza.
Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados.
O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
A força da areia molhada sob os pés descalços.
O sono relaxado que põe tudo pra dormir.
A presença da intimidade legítima.
A música que nos faz subir de oitava.
A delicadeza desenhada de improviso.
O banho bom que reinventa o corpo.
O cheiro de terra.
O cheiro de chuva.
O cheiro do tempero do feijão da infância.
O cheiro de quem se gosta.
O acorde daquela risada que acorda tudo na gente.
Essas coisas.
Outras coisas.
Todas, simples assim."


(Ana Jácomo)

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Esconderijo


Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir

(Ana Cañas)

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quinta-feira, 11 de março de 2010

O amor é o ridículo da vida;

A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer NÃO dói.

(Cazuza)



p.siu: porque o amor é feito para corações burros, feitos de manteiga, lágrimas e cicatrizes

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quarta-feira, 10 de março de 2010

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"Porque é tão mais fácil aturar a vida sabendo que tem você.
Agora sem você, meu amigo, a coisa é feia. Realmente feia."




(Caio Fernando Abreu)

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terça-feira, 9 de março de 2010

Memória;

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir.



(Ana Jácomo)

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domingo, 7 de março de 2010

Contos para Sebastião;


E ela, antes perdida naquele cenário tão cotidiano, tão poluído de seres sem cor, sem sentimentos, encontra seu refúgio num som ao longe... a mulher segue o som com os sentidos, com o espírito... fecha os olhos, se entrega...tudo se tornou leve, os sons, os toques, as vozes envolviam seus reflexos fazendo nascer um serpente que percorre a sua nuca e distribui a eletricidade musicada por todo o seu corpo.

A respiração agora é lenta, um estado letárgico. Ela abre os braços e toca as nuvens com a ponta dos dedos, os cabelos são emaranhados por um leve vento equatorial...ela,outrora mulher, agora menina, abre seus olhos com o fim da música e eles já não enxergam a obscuridade que ali estava.



(Da coletânea "Contos para Sebastião" 09/08/2009)
 
p.siu: para a nuca mais linda do meu universo
 
=*

Mããããããe;

E nada mais justo do que falar sobre você. Ainda mais hoje (apesar de que eu devia te fazer uma homenagem todos os dias para agradecer a minha vida).
Mãe, por tudo e quando eu digo tudo é tudo mesmo, que você se fez na minha vida, por todos os dias em que eu estive com febre e você cuidou de mim, por todas as vezes que eu ia mal na escola e você ficava acordada até tarde me ajudando com a tabuada, por todas as vezes que eu fiz algo errado (e como fiz!) e você estava lá pra me corrigir, por todas as vezes que eu tive o coração partido e lá estava você, de experiência, braços e ouvidos abertos pra me escutar e acalentar meu sofrimento...
Por cada segundo da minha minúscula vida, por cada palavra de apoio, pela firmeza, pela garra, pelos princípios, a disciplina, a bondade, as gargalhadas e brincadeiras, enfim, por ter sido mãe (com todos esses encargos de padecer no paraíso), por ter sido minha companheira e por ter sido minha estrela guia: muito, muito, muito obrigada.

Parabéns, amo você!

p.siu: Mãe, pára de chorar! É só uma declaração!

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