domingo, 28 de fevereiro de 2010

Antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar;


Eu me esqueci, durante muito tempo, da minha própria nascença. Eu vivia a vida dos outros porque achava mais divertido. A minha vida era "vidinha", assim mesmo, no diminutivo. Eu curtia. Eu me escondia. Eu fingia. Eu ria e chorava. Eu estava tão preocupada com um "eu" por fora, que não sobrava espaço algum pra mim, por dentro.
Até você aparecer.
Aí você chegou, como uma explosão solar, transformando tudo em estrelas e a organização que eu tinha, certinha, estruturada, foi-se como poeira do céu.
Ah! Eu era tão obstinada, tão benevolente, meus trilhos sempre estavam no lugar. Tudo era tão perfeito. Tão perfeito que dava nojo, repulsa, tudo tão "vidinha".
Quem você pensa que é pra me bagunçar assim?
Não, não responda. Eu sei quem você pensa que é. E, puxa vida, você é!
Você é tão legal, você é tão bobo, você tem covinha quando sorri, você não transparece ciúme, você canta mal e eu amo cada pedaço da sua existência.
E se antes eu era tão preocupada com contas pra pagar, trabalhos a fazer e pessoas para agradar, preocupada em levar a vida pra passear nos fins de semana, nem me dei conta que me abandonei por completo. Assim mesmo. Você me chamou. Eu fui.
Eu briguei, bati o pé, tentei fugir, não quis.

(...)

Mentira pura! Eu queria sim. Fazia por pirraça, pra parecer forte, digna, mas você me chamou e lá ia eu: sorrindo, cantando e me atirando nos teus braços, feito a criança mais feliz do mundo.
E eu gosto tanto disso que vou, vou me abandonando, vou correndo, todas às vezes que você me pedir pra ser feliz ao seu lado.

lirian.

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