domingo, 6 de dezembro de 2009

Uma típica despedida"




As luzes da rua passam pela janela do carro
eles estão de mãos dadas. Ela chora.
João e Maria toca no rádio

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

- Não chora, princesa.

Uma mão no volante, outra nos cabelos dela.
Ela limpa o rosto, olhando para a escuridão fora dela.

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Ela se inclina para o peito dele, seu choro molha a camiseta.

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Ele começa a cantarolar a música pra ela. Um chorinho a mais.

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Ele a beija na testa e diz : - Eu te amo.
Ela olha seu meio sorriso refletido na vidro e responde: - Eu também.


P.siu:  o amor não sabe dizer "tchau"

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