sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sofia e a Morte;



Sofia adentrou o quarto, os olhos vermelhos por tanto chorar.
Trancou a porta sem esforço ou barulho, caminhou até o criado-mudo de madeira e tirou o revólver da gaveta.
- Um tiro na boca e estará tudo acabado.
Mas estava tudo acabado antes mesmo do tiro.
A dor era insuportável, estridente, sufocante.
A morte seria sua única companhia.
Haveria uma carta escrita com sua caligrafia um tanto infantil para a idade.
Nela, pediria desculpa aos pais, perdoaria inimigos e amigos também, e deixaria todos os motivos do seu ato de misericórdia para consigo.
- Sofia, não faça isso - A Morte lhe aconselhou, sentando-se ao lado dela na beirada da cama.
Sofia se espantou com a beleza e paciência estampadas no rosto da Morte.
- Você... Não... Enten..- Ela não podia terminar a frase, a mão tremia pelo peso da arma e de sua angústia.
Enquanto Sofia olhava para baixo, entre seus pés e seus punhos, a Morte colocou a mão fria em seu rosto, fazendo com que seus olhos cruzassem os da menina.
- Olhe, eu sei que você está confusa, sei que tudo está sendo doloroso, mas acredite em mim, eu não quero levá-la.
A Morte a fitava com olhos azul cor-de-céu.
- Enquanto se vive você sempre terá outra chance, outra escolha. Enquanto o ar invade seus pulmões e o sangue corre quente pela suas veias você sorri, você chora, você sofre, você continua. Mas quando se morre não se sente nada, absolutamente nada. E não há vantagem nenhuma nisso. Por mais que seja difícil, siga. Caía, levante, mantenha-se. Eu juro, se você não suportar nós nos encontraremos novamente e eu levarei sua alma em meu colo, com todo o zelo de uma criança que cuida de seu brinquedo favorito – a Morte afagou os cabelos da menina.
Sofia pensou, limpando as gotas que caíam de seus olhos, em seguida assentiu com a cabeça.
Enquanto a menina se levantava, a Morte lhe disse: - E lembre-se Sofia, paciência com a dor, ela vai ir embora quando você a libertar.
A menina pôs a mão no coração para estancar a ferida aberta pela antiga solidão.
Guardou a arma, destrancou a porta e se adiantou a caminhar, deixando a Morte à fita-lá com orgulho.



Um comentário:

  1. Olla.
    Passando só pra lhe dizer que gostei muito desse post.
    ^^'

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