sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Parte;



Encosto a bochecha no vidro, quero sentir o frio se espalhar pelo corpo, anestesiar a dor de ser quem sou, de não dominar isso, essa coisa selvagem, surreal.
E dou graças, ah, como dou graças por você estar aqui, pela sua presença inundar tudo a minha volta...
Os porta-retratos, os livros jogados na cama, o cesto de roupa suja, o batom rosa - bebê que toca os meus lábios.
Você faz parte.
Todas as lembranças espalhadas e bagunçadas meticulosamente pelo quarto, mas antes fosse só aqui.
Se assim fosse eu trancaria a porta, dormiria na sala, desocuparia os armários.
Mas o que aconteceu está no meu corpo, na minha alma, no meu coração e pulmões.
E é por isso que eu continuo.
Você existe, eu existo.
Obriguei-me a seguir e aceitar essa nova lei.
Ela me ajuda a manter um pouco de sanidade para trilhar o caminho.

L.


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