sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O menino da chave dourada


Era uma vez uma princesa, que vivia em algum lugar que nem se eu te explicasse você entenderia, essa princesa tinha um castelo, um cavalo branco, um vestido de cetim rosa e um príncipe. Parecia tudo perfeito. Até ele chegar.


Um forasteiro, que tinha um nariz de bolinha e uma nuca sedutora (que nuca, meu Deus!), mas ele tinha algo mais, trazia em si tatuado no pulso uma chave, que nem aquelas chaves bem antigas, dourada...a chave reluzia no sol com todos os movimentos do forasteiro.

Era intrigante, era surreal, a chave encaixava-se perfeitamente a sua tatuagem de coração, no pulso, que no meio possuía a marca de uma fechadura...

Ela pensava ironicamente em seu coração trancafiado em todos aqueles anos, certa de que sua chave fora roubada e perdida para todo o sempre e seu coração morreria sem conhecer o seu verdadeiro dono...e lá estava ela!

Reluzia forte, imperiosa, no pulso daquele forasteiro que tinha alma de luz.

Seus olhos brilhavam a medida que ela admirava, o sangue latejando nas têmporas, nenhum som lhe saia da boca. Ele falou. Tinha voz de sinos, de anjo, como era lindo ouvir.

Ela precisava tocar lhe o pulso, a face, acreditar que ali estava o verdadeiro encaixe do seu coração. E o fez.

Perfeito. Dizia um anjinho lhe sussurrando ao ouvido, ele veio, ele existe.

A chave girou e abriu o coração da princesa.

Agora ele era um lugar aquecido e cheio de luz, como a alma do menino da chave dourada.

E ela o seguiu, deixou seu castelo, abandonou seu vestido e tudo mais que falsamente lhe pertenceu um dia.

O menino da chave dourada era tudo o que lhe pertencia verdadeiramente, era solidamente seu lar, sua sina e seu destino.



Um comentário:

  1. "era solidamente seu lar, sua sina e seu destino"... isso foi LINDO (com todas as letras). =~

    ResponderExcluir