terça-feira, 1 de novembro de 2016


"Onde amamos é o nosso lar:
lar que nossos pés podem deixar, mas não nossos corações."

(Oliver Wendell Holmes)

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domingo, 30 de outubro de 2016

É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando.



Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. 
E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme.
O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do
 que habitualmente ele se mostra
ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja.



Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. 
Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia.
Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro.



Difícil é amar quem não está se amando.



Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. 
Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. 
Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, 
de quem não desiste da gente.




Ana Jácomo
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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

35°, 34°, 33°, 32°, 31°, 30°;

Eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Mas eu amei. Corajosamente.
Amei com toda intensidade que meu coração permitiu que eu amasse.
Amei onde coube, onde não coube, onde fui convidada, onde entrei de penetra.
Amei por inteiro, amei de lavada, amei até ficar exausta, até ficar abatida, até ser destruída, 
até nascer de novo.
Mas eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Eu sempre tive o destaque que quiseram que eu tivesse.
Até o dia que não mais consegui.
Por que eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Porém, eu nunca fugi de briga, nunca me dei por satisfeita, entrava sempre para sair com a boca sangrando, joelhos ralados e feridas no estômago.
Eu encarei meus demônios, ou, ao menos, tentei encarar todos aqueles que conheci.  
Eu não sou boa em muitas coisas, nunca fui.
Meu humor sempre foi obscuro, minhas vontades imediatas e minhas paixões, violentas.
Nunca fui a mais bonita, a mais inteligente ou a mais educada. Nunca vou ser.
A subversiva que morou em mim jamais permitiu que eu me curvasse à perfeição.
Eu sempre vivi além da margem: de tudo que é bom, ruim, feio, belo.
E cada palpitar obstinado, infligido contra meu peito já frio, 
cavado pela mão relutante em me deixar ir, 
naquele pulso enluvado sujo de sangue, 
 onde o relógio já marca vinte e um minutos 
apenas me lembra que eu nunca fui entendida por não ser muito boa com as coisas, 
por nunca ter sido. 

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sim ou não?

"Lembra da história que me contou sobre as borboletas, mãe?
Agora sei como é.
É amor, mamãe?
Te amo, amo Wan, mas nunca tive borboletas.
Não me lembro de ter tido.
Poderia me dar uma chance, mãe?
Por favor, dê uma chance a esse amor, quero saber se é verdadeiro.
Quero saber se me fará cair até quebrar as pernas e os braços.
Não quero ficar curiosa pelo resto da vida.

Encontrarei a resposta."

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A música da noite;