segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Amor resiliente;

(Foto tirada pela Tassia Mara no dia do nosso inesquecível assalto)

É engraçado pensar nisso.
Que quem me ensinou essa vertente de amor seja uma mulher.
Ela é um sentido meu e eu, sou dela.
Nos misturamos em um ponto crucial e louco da vida.
Tivemos episódios dolorosos, engraçados, perigosos, amorosos, marcantes.
Aprendi, a duras penas e muito engolir de orgulho, como é o amor resiliente.
Eu gosto de olhar pra ela e ver como a gente cresceu e como não foi fácil, 
mas como foi lindo.
Perceber que no fim de todas as festas restamos sempre nós em algum canto, conversando sobre político, sexo, religião, amor, família e como os pés doem.
Duas cervejas e um cigarro, possivelmente. 
É assim que eu nos gosto e nos admiro: um canto, um bocado de palavras sinceras e toda cumplicidade sem julgamento que possa existir.
Ter você é um presente lindo.


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Triste, Louca ou Má;







Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima

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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ela;

Sou um conjunto maltrapilho de órgãos amontoados.
Algo feito as pressas por um criador desastrado. 
Sou um arabesco de recordações daquilo que nem chegou a ser, mas já se foi.
Sou uma cripta onde se escondem tesouros e armadilhas mortais.
Sou uma torre de babel onde cada vértebra fala uma língua.
Sou um esqueleto: ossos, pele, músculos e sensações.
Sou um cadáver aguardando o inevitável (que vem apenas para homologar nossa condição humana).
Sou imortal naqueles que pude imprimir um pedaço do meu desejo.
Sou todo amor que suportar e ainda assim, sobreviver.

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Roseira;





Eu desejei morrer pra não ver
A cama tão vazia ao redor
Meu sangue eu derramei por você
Meu corpo transformou-se em nó
Em solidão viu

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Asfalto selvagem;


"Você nunca saberá que tenho esfregado minhas costas contra o asfalto selvagem na esperança de que asas brotem em meio à carne viva e me tirem daqui."

(Stella Florence)

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

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Você não quer só chamar a atenção.

Suas dores são reais e se espalham por todas as partes. 

Você se questiona, se julga, se valora e abre brechas sobre como sua vida é um desperdício de oxigênio na atmosfera.

E você acha injusto gastar essa vitalidade com o seu  maldito corpo, ensaia bilhetes em que perdoa e pede perdão por deixar o mundo de forma tão brusca.

O mundo é uma droga agora e os dias passam sem muito a fazer.

Eu sei do que eu tô falando. Eu sou como você. Igualzinha a você. 

E sei que é difícil, mas você vai dar um jeito de chegar ao fim do dia.

Chore, chore muito, até adormecer, se for preciso.

Não se envergonhe de pedir ajuda.

Não se sinta culpado por não conseguir demonstrar esse amor e energia sobre o mundo, essa fé em Deus que comove tanta gente, essa alegria incomensurável de viver que a maioria das pessoas jura sentir.

Nem eles sentem ao certo. 

Não vou te dizer que vai dar tudo certo sempre, mas com um pouquinho de esperança, conseguimos. estender e entender os passos do mundo.

Independente da sua decisão hoje, eu preciso dizer: eu não te julgo e você não está só.


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quando você abriu a porta;

Eu cultivo memórias desse encontro que nunca aconteceu.
Nesse instante há uma sala cheia de livros e quadros dos quais a forma não consigo me lembrar.
Há poltronas e carpetes sob uma luz difusa, que não me permite delinear as cores.
E há você, nítido e claro, tão diferente das fotos cinzas, recortadas de outros tempos.
Eu sinto o seu cheiro, sua pulsação, sua respiração contra a minha.
Eu posso te tocar: o traçado dos seus braços, a rigidez dos seus ombros, o contorno da sua nuca. 
E meus olhos beijam os seus. 
Minha boca tateia a sua. 
E o universo, nesse pequeno instante de contemplação, deixa de ser o palco dos nossos desencontros.
E, nesse maravilhoso agora, 
nessas milhas de sonhos que percorro todas as noites,
 nada pode me tirar da curva do seu olhar,
 do sabor da sua língua crua,
do calor daquela sala 
e da sua pele nua.

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